Video: Ramos-Horta quer famílias guineenses a dormir tranquilamente

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Díli (Lusa,7 de Fevereiro de 2013) – O ex-Presidente de Timor-Leste José Ramos-Horta ontem, quinta-feira, que aceitou a missão na Guiné-Bissau para ajudar a criar condições para que as famílias guineenses, à noite, durmam tranquilas nas suas casas.

“A minha preocupação primeira é tentar criar condições para que cada família, à noite, em sua casa durma tranquila. Para que as crianças possam ir às escolas, caminhando nas ruas, alegremente, sem qualquer receio”, disse à agência Lusa José Ramos-Horta.

“Para isso é que eu aceitei a missão de ir para a Guiné-Bissau e devolver aos guineenses total confiança nas suas instituições, restaurar a paz e a tranquilidade naquele país”, salientou.

O país é governado desde abril passado por um executivo de transição, na sequência de um golpe de Estado, que prometeu fazer eleições até abril deste ano, mas que, entretanto, reconheceu não estarem ainda reunidas as condições necessárias para a sua realização.

Para José Ramos-Horta, não é prudente exigir eleições rápidas.

“Não há condições políticas, condições de segurança, condições técnicas, recenseamento credível, uma comissão eleitoral totalmente idónea, isenta e competente”, explicou.

Os partidos políticos com assento no parlamento da Guiné-Bissau estão a elaborar um roteiro e para o representante do secretário-geral da ONU é melhor esperar por aquele trabalho, que será considerado pelas Nações Unidas, Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental e União Europeia.

“Se forem persuadidos por um roteiro credível, abrangente, encontrar-se-á financiamento. O importante é que não haja pressas na realização de eleições sem que se tenham resolvido algumas questões de segurança, de estabilização, pacificação e reconciliação”, acrescentou.

Ramos-Horta acredita na normalização das relações entre Lisboa e Bissau

José Ramos-Horta disse à agência Lusa acreditar numa normalização das relações entre Lisboa e Bissau.

“Eu creio que não será difícil que entre Lisboa e Bissau venha a haver uma melhoria nos contactos e normalização das relações”, afirmou.

Portugal, assim como a maioria da comunidade internacional, não reconhece o Governo de transição da Guiné-Bissau, que entrou em funções depois do golpe de abril passado e que depôs o Governo eleito, liderado por Carlos Gomes Júnior.

“As forças armadas portuguesas e as forças armadas da Guiné-Bissau têm longa experiência de cooperação e a Guiné-Bissau sabe que Portugal não tem outros interesses, porque não faz fronteira com a Guiné-Bissau, não tem interesses económicos e comerciais, e Portugal pode fazer ainda muito pela Guiné-Bissau, mobilizando a União Europeia para voltar a apoiar o país”, salientou José Ramos-Horta.

Nas declarações à Lusa, o antigo Presidente timorense disse também que podia “assegurar” à Guiné-Bissau que Portugal “não está a pensar que se pode voltar ao período antes de abril de 2012″.

“Portugal também tem consciência de que é preciso lidar com a questão como ela está hoje para poder ajudar a Guiné-Bissau. Creio que se pode rapidamente ultrapassar este período de alguma tensão entre Lisboa e Bissau”, disse.

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