O Representante Especial do Secretário-geral da ONU, José Ramos-Horta, participou esta sexta-feira, nas cerimónias fúnebres do antigo Presidente da Guiné-Bissau, Kumba Ialá (2000-2003).

“Uma forma de honrar a memória do Presidente Kumba Ialá, é a união entre todos os guineenses e apelo a todos que mantenham o ambiente de paz e tranquilidade”, declarou o Nobel da Paz, aos jornalistas.

O funeral com honras de Estado, realizou-se 21 dias depois do falecimento de Kumba Ialá, acometido por problemas de saúde.

Largos milhares de pessoas, sobretudo apoiantes e simpatizantes do partido fundado em 1992 por Kumba Ialá, o PRS (Partido da Renovação Social, e actualmente segunda força política mais votada nas legislativas), associaram-se a este último adeus ao ex-chefe de Estado, deposto num golpe militar em 2003.

As cerimónias tiveram início na sede do PRS, mas assumiram honras oficiais, com um sessão que decorreu na Assembleia Nacional Popular, onde foi feito o elogio a Kumba Ialá, o seu percurso de vida como académico, activista e líder político.

Presentes nas cerimónias, o Presidente da República e o Primeiro-ministro da Transição, titulares dos restantes órgãos de soberania, chefias militares, membros do corpo diplomático, familiares, membros de forças políticas e admiradores de Kumba Ialá.

O corpo do ex-Presidente seguiu depois em marcha lenta num percurso até ao Quartel do Comando Central das Forças Armadas e Fortaleza de Amura, em Bissau.

Mais uma enchente de milhares de simpatizantes de Kumba Ialá, que quiseram testemunhar o acontecimento, perante a presença de forte dispositivo do Exército e de individualidades que acompanharam o programa oficial do funeral de Estado.

Um grande desafio em termos de segurança para as forças guineenses, que conseguiram sem incidentes, controlar uma multidão de cidadãos emocionados.

A urna do antigo mais alto Magistrado da Nação guineense, sempre coberta com a bandeira do País, foi depois depositada junto ao Mausoléu de Amílcar Cabral, nas imediações da Fortaleza de Amura.