Os argumentos provenientes de muitos amigos cuja integridade intelectual é inquestionável, quanto a adesão da Guiné Equatorial à CPLP não passa despercebido, não nos deixa indiferentes.

Não represento a CPLP mas assumo como minha a decisão da Comunidade em aceitar o pedido de adesão desse País. Já em 2010, ainda Presidente da República, subscrevi o desejo da GE em aderir à nossa Comunidade.

Em primeiro lugar devo dizer que subscrevo as criticas contundentes de denúncia da pena de morte e graves violações de direitos humanos ocorridos naquele País.

A credibilidade da Amnistia Internacional é inquestionável. A integridade dos subscritores do abaixo assinado dirigido à CPLP e inquestionável. Devemos a todos eles o maior respeito.

Acredito que uma ação concertada, inteligente, prudente e persistente da CPLP junto do regime Guine Equatoriano, pode levar em pouco tempo as primeiras melhorias:

– eliminação da pena de morte e da prática de tortura, de prisões arbitrarias e desaparecimentos forçados; melhoria das instalações prisionais e do tratamento dos presos; acesso às prisões pela Cruz Vermelha Internacional;

– numa fase posterior, abertura em Malabo de uma missão do Alto Comissariado de Direitos Humanos com vista a monitorar a situação de direitos humanos, formação e capacitação de defensoria pública, reforma do poder judicial, etc.

– promoção de diálogo nacional e de abertura política a médio prazo, no prazo de 3 a 5 anos.

Esta seria a agenda que eu recomendaria à CPLP como moeda de troca pela admissão da GE na CPLP.

Quanto aqueles que dizem que a CPLP esta a vender-se ao petróleo da GE eu responderia:

– Timor-Leste nunca recebeu um centavo da GE; a GE não contribuiu um centavo para o processo eleitoral na Guiné-Bissau e ninguém pediu ajuda a GE para o efeito;

– Angola e Moçambique têm muito maiores riquezas petrolíferas e outras que a pequena GE.

– O Brasil ainda é a sétima economia do mundo; as riquezas da GE não chegam ao PIB do Estado mais pobre do Brasil.