Timor Telecom

 

Companhia Timorense de Sucesso

Vítima de Falsa Liberalização

 

Com base no acordo celebrado em 2002, entre o Estado Timorense e a Portugal Telecom, constituindo-se a Timor Telecom, a empresa seria transferida na totalidade para o Estado Timorense em 2017. O Estado Timorense passaria a ser dona de uma Empresa moderna, lucrativa. Mas a dita política de liberalização do mercado de telecomunicações está a matar a galinha que tem produzido os ovos de ouro.

Portugal Telecom (PT) veio para Timor-Leste em 2002 quando nenhum operador estava interessado em investir e arriscar num País destruido e depauperado. Uma empresa Portuguesa moderna, de sucesso, respeitada nos grandes mercados financeiros, que domina o mercado de telemóveis no Brasil, não tinha necessidade comercial para se instalar em Timor-Leste. Mas veio quando ninguém queria vir. Apostou no nosso País.

A Telstra Australiana veio para TL em 1999, às costas da Interfet e posteriormenteda UNTAET; arrecadou dezenas de milhões de dólares que eram transportadas todas as semanas para a Austrália, de 1999 a 2002.

Nas vésperas da Restauração de Independência abriu-se um concurso internacional para concessão de licença de operador móvel, de rede fixa e internet.

A TELSTRA recusou participar num concurso aberto; queria continuar a usufruir dos privilégios, sem concorrência, que lhe haviam sido outorgados pela Admnistracão Transitória Onusina.

Apenas a PT e uma pequena operadora de Sydney chamada Pacífic Communications concorreram. E assim surgiu a Timor Telecom (TT), primeira companhia/parceria nascida em Timor-Leste, assente no sistema BOT, (Build, Operate, Transfer), com maioria de capital da PT, 22% do Estado Timorense e o restante detido por investidores Timorenses.

Com base no acordo celebrado em 2002, em 2017, a empresa seria transferida na totalidade para o Estado Timorense.

Timor-Leste era uma Terra queimada, esvaziada economicamente, desprovida de quadros profissionais e de uma classe empresarial, com um povo traumatizado.

Houve nos primeiros anos muitas críticas à gestão da TT, pelas tarifas praticadas, consideradas excessivas, entre as mais caras do mundo. Sem ligação a um cabo submarino, recorrendo-se à transmissão via satélite, as telecomunicações em TL eram e serão sempre mais lentas e onerosas. Mas mesmo assim os preços praticados na altura eram exagerados e não granjeavam para a empresa a boa vontade do público e dos governantes.

Como resultado da má vontade gerada, surgiram clamores para a liberalização. O Banco Mundial liderou a pressão para a liberalização do mercado e assim surgiram outros operadores, a Telkomsel (Indonesia) e a Telemor (Vietnam).

O que importa perguntar hoje é se essa liberalização está a beneficiar o consumidor e o Estado Timorense.

A minha primeira impressão e que, uma vez mais, os bons conselhos dos muitos “experts” que acorreram ao nosso País induziram-nos a todos (incluindo a mim) em desinformação e políticas erradas.

Vejamos: o Estado Timorense detém 22% do capital de TT e com as receitas petrolíferas e gás estava em condições de adquirir uma posição maioritária ou mesmo comprar a TT; por prudência, convidar-se-ia a PT a continuar a assumir a plena gestão da Empresa pois a nossa experiência e a de muitos países tem demonstrado que funcionários do Estado raramente são bons gestores.

Mas o Estado Timorense deu num tiro nos pés, isto é, nos seus próprios interesses, cedendo um espaço estratégico para duas empresas estrangeiras que só descobriram Timor-Leste 10 anos depois de o Pais já estar relativamente confortável no plano financeiro.

Resultado: TT é vitimizada por uma concorrência desleal e ilegal pelas práticas de uma das operadoras; e os lucros são enviados para a Indonésia e o Vietnam. A TT nunca fez qualquer transferência de lucro para Portugal.

Obviamente, o bolo já é pequeno no mercado Timorense, e agora repartido em três partes desiguais, sendo que os lucros das outras duas partes são transferidas para fora os Pais.

(Hei-de voltar a este tema noutra ocasião com mais informações.)

Hoje quero apenas dizer umas palavras sobre TT. A TT conta hoje com um quadro de cerca de 455 elementos nacionais (255 efectivos e mais 200 contratados a termo), para além de 10 elementos requisitados à empresa do Grupo e de outros 10 prestadores de serviço internacionais. Destes, 70% encontram-se na faixa etária inferior ou igual a trinta e um anos de idade.

Cerca de 66% dos colaboradores da TT têm formação universitária e 34% têm formação no ensino secundário. De entre todos, 60% são do género masculino e 40% do género feminino.

Para além dos recursos humanos acima referidos, a TT assegura ainda, graças à actividade desenvolvida em todo o país, cerca de 1.500 postos de trabalho indirectos, todos ocupados por elementos nacionais (distribuidores, agentes, seguranças para os diferentes sites e empregados de limpeza) espalhados por todo o país.

Atendendo à evolução rápida do domínio da tecnologia, a TT tem vindo a insistir na qualidade da formação que ministra aos seus colaboradores, quer no estrangeiro, quer no país, em simultâneo com acções continuadas de “on-job training”, beneficiando-se da experiência e do “know-how” acrescidos das empresas do Grupo Portugal Telecom.

Sublinha-se, nesta vertente, a continuação da prática de ministrar estágios a alunos das diversas universidades de Timor-Leste, em especial nas áreas tecnológicas e de engenharia, que reconhecem na TT, uma Empresa mais qualificada e dispondo de tecnologias e quadros capazes de assegurar uma preparação de excelência aos futuros quadros do país.

A TT absorveu estagiários de elevado potencial para a Empresa, tendo sido vários os recrutados para as respectivas Direcções da Empresa.

A TT assim como a Caixa Geral de Depósitos estão em TL por deteminacão do Estado Português por razões de solidariedade e não com objetivos comerciais. Proximamente escreverei mais sobre o papel da CGD/BNU em TL.

Dizia o então Primeiro Ministro Português, José Manuel Durão Barroso, “Para nos Timor-Leste é mais do que uma oportunidade de investimento e lucro, é mais do que um mercado. Empresas públicas Portuguesas devem investir em Timor-Leste por solidariedade e não por motivações mercantis”.

E nós Timorenses, em vez de agradecermos e inteligentemente encorajararmos parcerias com empresas Portuguesas fomos hipotecando os interesses do nosso País a empresas da região com reputação duvidosa.

O Governo tem uma última oportunidade em corrigir o erro da liberalização: poderia adquirir a totalidade das acções da TT e negociar a gestão da empresa com a PT; todas as instituições públicas Timorenses, sem excepção, seriam obrigadas por lei a fazer uso da TT.

Para assegurar o pagamento e viabilizar a empresa, 50% do orçamento alocado para as telecomunicações dos Ministérios e instituições públicas seriam automaticamente retidos para garantir pagamento das suas respetivas faturas.

E o Estado Timorense deveria honrar imediatamente a dívida de mais de $8 milhões que tem com a TT de forma a que a nova empresa, a ser adquirida pelo Estado Timorense, comece uma nova etapa com um ativo elevado. A dívida arrasta-se e acumula-se desde o primeiro Governo. Mais de metade da dívida tem a haver com o uso abusivo e ilegal dos telemóveis por parte dos membros do Governo, deputados e funcionários públicos. Estes abusos continuam!

 

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Timor Telecom

Sucessful Timorese Company

…Victim of False Market Liberalization

Based on the agreement set on 2002, between the Timorese Government and Portugal Telecom, setting up Timor Telecom, the company would be transfered in its totality to the Timorese Government in 2017. The Timorese Government would be the solely owner of a modern and lucrative company. Said market liberazation policy in the telecommunications market is killing the chicken that has produced the golden eggs.

Portugal Telecom (PT) came to Timor-Leste in 2002 when no other telecomunications operator was interested in investing and risking an investment in a torn and depleted country. A modern Portuguese company, sucessful, respected in the big financial markets, being the leader in mobile telecommunications in Brazil that had no commercial need to invest in TL. They invested in our country.

The Australian Telstra came to TL in 1999, on the back of Interfet and later on UNTAET, took dozens of millions of dollars that were flown back to Australia every week betwen 1999 and 2002.

On the eve of the Independence day an international tender was opened to provide the license for a mobile operator, landline and internet.

Telstra refused to participate in an open tender; they wanted to keep enjoying privileges without competition, which had been granted by the Transitional Authority at the time.

Only PT and a small Australian operator from Sydney called Pacific Communications applied for the tender. And soon Timor Telecom (TT) arrived on the market, the first company/partnership born in TL, based on the BOT System (Build, Operate, Transfer), with a majority stakeholder from PT, 22% from the Timorese Government and the rest hold by a few Timorese investors.

Based on the agreement signed in 2002, the company would be transfered in its totality to the Timorese Government in 2017.

Timor-Lest was a torn and burnt land, economically emptied, with no professional staff and business class, with a traumatized People.

There were much criticism in the TT early years due to the tariffs applied, by many considered excessive, between the most expensive in the world.

Without a submarine cable connection, using only satelitte transmission, TL telecomunications were and always will be slow and expesive. But even so the prices applied at the time were too expensive and did not translate a good will from the company towards the public and the decision making people.

Has a result of this, the first rumours of market liberazation arrived. World Bank lead the pressure for this so called market liberalization and thus other operators arrived in the market, Telkomsel (Indonesia) and Telemor (Vietnam).

The main question we need to ask today is: will this liberalization benefit the consumer and the Timorese Government?

My first impression is that, once again, the good advice, from the “experts” that came to our country  mislead everyone (including me) with the wrong informatin and wrong policies.

Let´s see: the Timorese Government holding 22% of the TT capital and getting oil and gas revenues, would have the possibility to buy a majority stakeholdig position or even a total buy out; by prudence, the Government would invite PT to continue the management of the Company mainly because from our experience and other countries, the Government staff are not good managers.

But the Timorese Government shot itself in the feet , that is, in their own interests, giving away a strategical postion for two foreign operators that only arrived in TL, ten years later, when the country was already stable in its own financial plan.

Result: TT is victim to an illegal and unfair competition by one the operators: The profits are sent back to Indonesia and Vietnam. TT never made a profit transfer to Portugal.

Obviously, the already small cake of the Timorese market is now shared in three uneven parts, with the profits from the other two operators being transfered abroad.

(I will came back to this topic later with more concrete information.)

Today I just want to say a few words about TT. Currently Timor Telecom has a staff of 455 (255 on full contract and 200 with temporary contracts), as well as the 10 elements provided by the Group and another 10 international service providers. From these numbers, 70% fit within the low age group or equal to 31 years old.

About 66% of the Timor Telecom staff are university graduates and 34% have finished high school. From all of them, 60% are male and 40% female.

Further to the resources shown above, Timor Telecom provides, mainly because of their nationwide service, around 1500 indirect work placements carried by national elements (distributors, agents, security and cleaning for the various sites) spread all over the country.

Given to the rapidly changing nature of technology, Timor Telecom has insisted on the quality of the training that is given to their colaborators, abroad or in Timor-Leste, along with continuing actions to “on-job training”, taking advantage of the experience and know-how brought to Timor-Leste by the companies belonging to the Portugal Telecom Group.

It should be noted that the ongoing practice of giving work experience to students from various universities of Timor-Leste, specially in the fields of technology and Engineering, gives Timor Telecom the acknowledgment of a qualified company with staff and technology capable of reassuring an excelente preparation for future staff in our country.

Timor Telecom has taken in various interns with a very high potencial for the company, being recruted for the various company departments.

Timor Telecom as well as Caixa Geral de Depósitos are in Timor-Leste because of the determination of the Portuguese Government being it for solidariety and not commercial objectives. Very shortly, I will write about the role of CGD/BNU in Timor-Leste.

At the time, José Manuel Durão Barroso, as the Prime-Minister of Portugal said: “ For us, Timor-Leste is more than an opportunity of investment and profit, and more than a market. Government owned companies should invest in Timor-Leste by solidariety and not for mercantile motivations.”

And we, Timorese, instead of thanking and intelligently encouraging partnerships with Portuguese comnpanies jeopardized our future with companies from regions with dubious reputation.

The Government has a last chance to fix this mistake regarding the liberalization market issue: Could acquire the totality of TT shares and negociate the management of this company with Portugal Telecom, all the Timorese Public Institutions, without no exception, would be obliged by law to use Timor Telecom Services.

To ensure good payment, 50% of the budget allocated to the Ministeries and Public Institutions telecomunications would be automatically retained to guarantee payments to the servisse provider.

And the Timorese Government should immediatly honour the debt of more than $8 million it has with Timor Telecom so that the new company, being it aquired by the Timorese Government, starts a new stage with a high income active. The debt rises and acumulates since the first government. More than half of the debt was due to the abusive and ilegal use of the mobile phones by members of the Government, Mp’s and civil servants. These abuses continue today!