As published on the Huffington Post

The barbaric terrorist attacks against the staff of the Paris satirical paper Charlie Hebdo come in the wake of other murderous assaults against innocent pedestrians in the streets of France in recent weeks.

For all its complex social challenges, including feelings of exclusion and alienation among the unemployed youth of Arab descent, France, more than any country in Europe, has been for decades a haven of exile and of new life for many from all over the world, fleeing wars, tyrannies and poverty. Among the dozens of countries whose sons and daughters have settled in France by choice or by “force majeure,” there are large populations from Algeria, Lebanon, Morocco and Tunisia.

Many young French of Arab ancestry do not fit, feel excluded and alienated. Many have faced the challenges, have struggled on and have succeeded in the new environment. Others have not. That’s life, everywhere. Many succeed and others fail.

In the last few years, tens of thousands of innocent civilians, including school children, were slaughtered in Syria, Iraq, Libya, Afghanistan and Pakistan by Muslim extremist minorities. Overwhelmingly, the victims of these extremists have been fellow Muslims.

Malala, the teen-ager Pakistani Nobel Peace Prize Laureate of 2014, is only the most visible example of the battle for full emancipation of Muslims in countries and societies still heavily influenced by uneducated religious conservatism. Malala survived the extremist assassin’s bullet but many others succumbed. Many still continue to die or are forever disfigured with acid attacks for their indomitable desire to study and to grow out of the shackles of stone-age conservatism.

This is more a battle within Islam than a “clash of civilisations”; a battle between 21st Century Muslims with an enlightened vision of the world and medieval extremists.

Let us not forget that Christianity saw its own schisms, religious wars and doctrinal idiocies that cost tens of thousands of lives and displaced millions who fled Europe to the “New World.”

Modern, moderate Muslims all over the world, particularly those living in secure environments, must speak out more to denounce and further isolate the extremist elements.

These moderates have shown courage and solidarity with non-Muslim victims of the depravity of the minority and they can do more, for the sake of the true essence of Islam; they should design a long-term strategy aimed at isolating and exposing the theological concoctions that feed the extremists.

I am afraid, if this is not done, the continuing killings by extremists in Syria, Iraq and Afghanistan, in Paris and London, will only further damage the image of Islam and give rise to anti-Muslim and anti-Immigration phobias in Europe, USA, Canada, Australia, countries that in fact have been generous safe havens for millions of Muslims fleeing wars and religious extremism.

The backlash against Muslims would extend beyond Europe and other countries with Christian majorities; it would be felt also in Hindu and Buddhist-majority countries in Asia where there have been violent anti-Muslim clashes in recent times.

And we would all be losers. We would have lost our humanity.

 

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Charlie Hebdo: Muçulmanos moderados devem falar mais

Como publicado no Huffington Post

Os bárbaros ataques terroristas contra o staff do jornal satírico parisiense Charles Hebdo vêm na sequência de outros assassinatos  contra pessoas inocentes nas ruas de França nas últimas semanas.

Por todos os seus complexos desafios, incluindo sentimentos de exclusão e alienação entre a juventude desempregada de descendência árabe, a França, mais que qualquer outro país da Europa, tem sido há décadas um refúgio de exílio, de uma nova vida para muitos de todo o mundo, fugindo de guerras, tiranias e pobreza.

Entre as dezenas de países cujo filhos e filhas se instalaram em França por escolha ou “por força maior”, existem grandes populações da Argélia, Líbano, Marrocos e Tunísia.

Muitos franceses de ascendência árabe não se enquadram, sentem-se excluídos e alienados. Muitos têm enfrentado desafios, esforçam-se e conseguem alcançar sucesso neste novo ambiente. Outros não. Assim é a vida, em todo o lado. Muitos tiveram sucesso e muitos fracassaram.

Nos últimos anos, dezenas de milhares de civis, incluindo crianças em idade escolar, foram mortos na Síria, Iraque, Líbia, Afeganistão e Paquistão por minorias muçulmanas extremistas. Na sua esmagadora maioria, estes actos foram concretizados por outros muçulmanos.

Malala, a adolescente Paquistanesa que recentemente foi galardoada com o Prémio Nobel da Paz de 2014, é o exemplo mais visível da batalha pela emancipação dos Muçulmanos em países e sociedades ainda fortemente influenciadas por conservadorismo religioso ignorante. Malala sobreviveu à bala assassina e extremista mas muitos outros sucumbiram. Muitos continuam ainda a morrer ou estarão para sempre desfiguradas com ataques de ácido apenas vitimas do seu desejo indomável de estudar e sair das amarras deste conservadorismo da idade da pedra.

Esta é mais uma batalha de dentro do Islão do que propriamente um “choque de civilizações”; uma batalha entre Muçulmanos do séc. XXI com uma visão esclarecida do mundo e extremistas medievais.

Não nos esqueçamos que o Cristianismo viu as suas próprias cismas, guerras religiosas e idiotices doutrinárias custaram dezenas de milhares de vidas e milhões de deslocados que fugiram da Europa para o “Novo Mundo”.

Muçulmanos moderados e modernos em todo o mundo, particularmente aqueles que vivem em ambientes seguros, devem falar mais para denunciar e isolar os elementos extremistas.

Estes Muçulmanos moderados já demonstraram coragem e solidariedade com vitimas não-Muçulmanas vitimas da depravação da minoria e podem ainda fazer mais, para o bem da verdadeira essência do Islão; eles devem criar uma estratégia a longo termo que vise isolar e expor as mixórdias teológicas que alimentam os extremistas.

Eu receio que, caso isto não seja feito, a continuação destes actos por extremistas na Síria, Iraque e Afeganistão, em Paris e Londres, irão apenas danificar a imagem do Islão e dar origem a fobias anti-Muçulmanos e anti-Imigração na Europa, EUA, Canadá, Austrália, países que de facto têm sido refúgios seguros e generosos para milhões de Muçulmanos que fogem de guerras e extremismo religioso.

A reacção contra Muçulmanos iria prolongar-se para além da Europa e outros países com maioria Cristã; seria sentida também em maiorias Hindus e Budistas na Àsia, onde houve violentos confrontos anti-Muçulmanos nos últimos tempos.

E todos nós seremos perdedores. Todos nós perderemos a humanidade.