The former president of Timor-Leste, José Ramos-Horta took part in Tokyo on the Global Appeal 2015 together with the Japanese Prime Minister Shinze Abe and his wife.

Ramos-Horta currently serves as the President of the Independent Panel for Peace Operations created by the UN Secretary-General last October, having started his duties in late November.

Together with several members of the same Panel, Ian Martin (United Kingdom) and Prof. Henrieta Mensa-Bonsu (Gana), Ramos-Horta and his colleagues have had a busy schedule of inter-active dialogue with government members, National Diet (Parliament), academics, civil society, media – listening and retaining opinions to carry on his work for this mandate.

According to the terms of reference of the Panel, it aims to reform the Peace Architecture and Security of the UN (Peace-Building Operations and Special Political Missions), its better efficiency and conflict resolution.

Simultaneously to this mission in Tokyo (following a short stay in Bangladesh), Ramos-Horta joined the Japanese Prime Minister in the launch of this initiative on the elimination of leprosy, stigma and discrimination.

We share with you the brief speech of Ramos-Horta at the event.

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Remarks by H. E. Jose Ramos-Horta
1996 Nobel Peace Prize Laureate
former President of Timor-Leste
at the Global Appeal 2015 on Leprosy Elimination
hosted by The Nippon Foundation

Tokyo, 27 February 2015

 

Excellencies,

Ladies and Gentlemen,

 

It is a privilege to be here in Tokyo as guest of someone, Yohey Sasakawa, Chairman of the Nippon Foundation, a living hero of the most outcast people in the  world, the hundreds of thousands of our fellow human beings, our brothers and sisters, Children of God, the victims of this centuries-old illness – the Hansen’s disease or leprosy.

 

While in Tokyo for this very important symposium and the World Appeal, in response to a long-standing invitation, as currently the Chair of the High Level Independent Panel on Peace Operations established by the UN Secretary-General, I and some of my colleagues who serve also in the Panel, have been engaging with senior Japanese Govt Officials, Civil Society,  Academia, Think-Tanks, in listening to their informed opinion that certainly will enable us to produce a comprehensive report and wise recommendations for our esteemed SG.

 

As we all know, our world is facing increasingly complex and dangerous challenges, ranging from decades-old unresolved conflicts like Somalia, Congo and Afghanistan, to the implosion of Middle Eastern States like Syria and Libya, and new cases of implosion of fragile States like Central African Republic and South Sudan.

 

In the midst of these tragic events that are the daily feature of mainstream Media, there are also bright spots in the world where the actions of individuals can make a difference for the better for many fellow human beings.

 

Yohey Sasakawa is not a Hollywood star or a billionaire who flies in and out of disaster areas with journalists and filmmakers, pose for pictures with poor, hungry children, and then leave for the next popular cause.

 

Yohey Sasakawa is not George Clooney or Angeline Jolie; he and his family have devoted the last 40 years to raise awareness, mobilise financial and medical support for the hundreds of thousands of victims of this terribly disfiguring disease that for centuries has made millions of our fellow brothers and sisters the most unwanted people in the world.

 

The Sasakawa family has also made generous and sustained contributions towards fostering dialogue, reconciliation, peace and poverty alleviation through the Sasakawa Foundation.

 

A reading of the  2012 Annual Report offers an insight into the breath and depth of the Sasakawa family’s immense contribution to world peace in Asia, the Middle East, Africa and Latin America, through generous grants in support of research, symposiums, training programs, rural development, building schools and hospitals, health clinics, clean water and sanitation.

 

I did not hesitate one minute in accepting the kind invitation extended to me be here so that, with Prime Minister Shinze Abe, our esteemed UN Secretary-General Ban Ki-moon (via video message) my good friend Dr. Surim Pitsuwan, former PM of Thailand and former ASEAN Secretary-General, and Mrs Abe, the esteemed wife of Prime Minister Abe, we jointly support the Nippon Foundation Global Appeal 2015 on Leprosy Elimination.

There is no more noble cause than embracing our unfortunate fellow human beings, our brothers and sisters, beloved Children of God, afflicted by this illness and for this reason are cast aside by society.

 

As a result of the joint efforts of my own Government, supported by WHO and the Nippon Foundation, my country, Timor-Leste, with less than one case per 10,000 people, was declared medically free of leprosy in 2010.

 

However, countries like Brazil, India and Indonesia (particularly in Aceh and Papua) still have tens of thousands of new cases. The good news is that the new cases in these mentioned countries are gradually diminishing leading us to be hopeful that with greater compassion and effort,  leprosy can be eliminated in all afflicted  countries around the world.

However, while elimination of the Hansen disease is an attainable goal, those cured still suffer from stigmatisation and discrimination in their communities and countries. We must all do more to return to them their full rights and dignity, embracing and providing all the support needed for their full reintegration in society.

 

In closing, I wish to greet all of you from many parts of the world who have converged to Tokyo for this symposium and appeal. Those of you who work in the field with our brothers and sisters afflicted by the Hansen disease, caring for them medically but also giving them love and hope, you have my deepest admiration. You are my living heroes and you too are Children for God.

 

May God the Almighty and Merciful Bless You All and continue to guide you in this noblest cause.

END

 

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O ex-Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta participou em Tóquio no lançamento do Global Appeal 2015 juntamente com o Primeiro-Ministro do Japão, Shinze Abe e esposa.

Ramos-Horta exerce atualmente as funções de Presidente do Painel Independente de Alto Nível para as Operações de Paz, criado pelo Secretário-Geral da ONU em Outubro passado, tendo entrado em funções em finais de Novembro.

Acompanhado de mais membros do mesmo painel, Ian Martin (Reino Unido) e a Prof. Henrieta Mensa-Bonsu (Gana), Ramos-Horta e colegas têm tido uma agenda sobrecarregada de diálogo inter-ativo com membros do Governo, Dieta (Parlamento), acadêmicos, sociedade civil, media, auscultando e retendo opiniões no cumprimento do seu mandato.

Segundo os Termos de Referência do Painel, este visa a reforma da arquitectura de paz e segurança da ONU (Forcas de Manutenção de Paz e Missões Políticas Especiais) e a sua maior eficácia na prevenção e resolução de conflitos.

Em paralelo a esta missão em Tóquio (na sequência de uma estadia em Bangladesh), Ramos-Horta juntou-se ao Primeiro-Ministro Japonês no lançamento de uma iniciativa sobre a eliminação da lepra, estigmatização e discriminação.

Partilhamos o breve discurso de Ramos-Horta no evento.

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Discurso do S. E. José Ramos-Horta
1996 Prémio Nobel da Paz
ex-Presidente de Timor-Leste
no Global Appeal 2015 sobre de Eliminação da Lepra
organizada pelo The Nippon Foundation

Tóquio, 27 de fevereiro de 2015
Excelências,
Senhoras e senhores,

É um privilégio estar aqui em Tóquio como convidado de alguém, Yohey Sasakawa, presidente da Nippon Foundation, um herói vivo das pessoas mais marginalizadas do mundo, as centenas de milhares de seres humanos, nossos irmãos e irmãs, filhos de Deus, as vítimas desta doença secular – Doença de Hansen ou lepra.
Enquanto em Tóquio para este muito importante simpósio e o World Appeal, em resposta a um convite de longa data, como atualmente presidente do Painel Independente de Alto Nível para Operações de Paz criado pelo Secretário-Geral das Nações Unidas, eu e alguns dos meus colegas que servem também no painel, têm vindo a desenvolver esforços com altos funcionários do Governo japonês, sociedade civil, acadêmicos, grupos de reflexão, de ouvir a sua opinião informada que certamente nos permitirá produzir um relatório detalhado e recomendações sábias para o nosso estimado Secretário-Geral.
Como todos sabemos, o nosso mundo está a enfrentar desafios cada vez mais complexos e perigosos, que vão desde conflitos com décadas que não estão resolvidos, como a Somália, Congo e Afeganistão, com a implosão dos Estados do Médio Oriente como Síria e Líbia e, novos casos de implosão de Estados Frágeis, como a República Central Africana e Sudão do Sul.
No meio destes acontecimentos trágicos que são a característica diária dos Media considerados mainstream, há também pontos luminosos no mundo onde as ações dos indivíduos podem fazer a diferença para o melhor e para muitos outros seres humanos.

Yohey Sasakawa não é uma estrela de Hollywood ou um milionário que voa para as áreas de desastre com jornalistas e cineastas, fazendo pose para fotos com crianças pobres, famintos, e, de seguida, sair para a próxima causa popular.
Yohey Sasakawa não é George Clooney ou Angeline Jolie; ele e a sua família têm dedicado os últimos 40 anos à sensibilização e mobilização de apoio financeiro e médico para as centenas de milhares de vítimas desta doença terrivelmente desfigurante que durante séculos tem feito com que milhões de irmãos e irmãs sejam as pessoas mais indesejadas no mundo.
A família Sasakawa também fez contribuições generosas e sustentadas no sentido de fomentar o diálogo, a reconciliação, a paz e a redução da pobreza através da Fundação Sasakawa.
A leitura do Relatório Anual de 2012 oferece uma visão sobre o fôlego e profundidade da imensa contribuição da família Sasakawa para a paz mundial na Ásia, Médio Oriente, África e América Latina, através de doações generosas de apoio à investigação, simpósios, programas de formação, desenvolvimento rural, construção de escolas e hospitais, postos de saúde, água potável e saneamento básico.
Eu não hesitei por um minuto em aceitar o amável convite para estar aqui, de modo que, com o Primeiro-Ministro Shinze Abe, o nosso estimado Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-Moon (via mensagem de vídeo), meu bom amigo Dr. Surim Pitsuwan, ex-Primeiro-Ministro da Tailândia e ex-Secretário-Geral da ASEAN, assim como a Sra. Abe, a estimada esposa do Primeiro-Ministro Abe, apoiamos conjuntamente a Global Appeal 2015 sobre de Eliminação da Lepra.
Não há causa mais nobre do que abraçar os nossos infeliz companheiros seres humanos, nossos irmãos e irmãs, queridos filhos de Deus, atingidas por esta doença e que, por este motivo, são postos de lado pela sociedade.
Como resultado dos esforços conjuntos do meu próprio governo, apoiados pela OMS e pela Fundação Nippon, o meu país, Timor-Leste, com menos de um caso por 10.000 habitantes, foi declarado clinicamente livre da lepra em 2010.
No entanto, países como o Brasil, Índia e Indonésia (particularmente em Aceh e Papua) ainda têm dezenas de milhares de novos casos. A boa notícia é que os novos casos nestes países estão a diminuir gradualmente levando-nos a ter esperança de que, com mais compaixão e esforço, a lepra pode ser eliminada em todos os países atingidos um pouco por todo o mundo.
No entanto, enquanto que a eliminação da Lepra é um objetivo atingível, aqueles que estão curados ainda sofrem de estigmatização e discriminação nas suas comunidades e países. Todos nós temos que fazer algo mais para que eles possam voltar a ter a plenitude dos seus direitos e da dignidade, abraçando e prestando todo o apoio necessário para a sua plena reintegração na sociedade.
Para encerrar, quero saudar todos vós, que convergiram de todo o mundo para este simpósio e apelo em Tóquio. Aqueles que trabalham no terreno com os nossos irmãos e irmãs que sofrem por causa da Lepra, cuidando deles medicamente mas também dando-lhes amor e esperança, vocês têm a minha mais profunda admiração. Vocês são os meus heróis vivos e vocês também são filhos de Deus.
Que Deus o Todo-Poderoso e Misericordioso abençoe todos vós e continue a guiá-los nesta nobre causa.

FIM