ALOCUÇÃO DE
SUA EXCELÊNCIA O PRIMEIRO-MINISTRO
DR. RUI MARIA DE ARAÚJO
POR OCASIÃO DA CONFERÊNCIA “IGREJA COM O SEU ROSTO TIMORENSE”

“ A Igreja na Luta pela Libertação Nacional: Memória e Reflexão” 

Baseando-me no tópico que me foi atribuído, “A Igreja na luta pela Libertação Nacional: Memória e Reflexão”, procurei resgatar da memória alguns factos históricos e refletir sobre o papel da Igreja Católica em Timor-Leste durante a ocupação indonésia, o qual se pautou pela defesa dos direitos humanos, pela defesa de um povo que lutou pela Libertação Nacional.

Mas eu diria que o contributo da Igreja para a causa da independência antecede este período: o contributo fundamental foi forjar a própria identidade timorense que, ao longo dos séculos e no contacto com esta, se foi moldando na diversidade dos nossos antepassados, das nossas culturas e tradições e que depois, durante 24 anos de muita violência, se viu reforçada pela absoluta convicção da justiça da causa da independência, da liberdade e da soberania do nosso povo. De facto, o que nos distingue efetivamente dos nossos países vizinhos, dos seus povos e culturas é precisamente o resultado do contacto com a Igreja e os seus missionários, portugueses, os quais contribuíram inquestionavelmente para a emergência de uma identidade própria e diria mesmo única nesta nossa meia ilha do sudeste asiático.
Exatamente porque a Igreja teve uma influência determinante na autodeterminação do povo de Timor-Leste, e que extravasa o período temporal da ocupação indonésia, vou de forma breve contextualizar a chegada e a permanência da Igreja, isto é, o início da cristianização da ilha de Timor. Vou abordar também a presença da Igreja já no período colonial, quando já se verifica o estabelecimento efetivo da governação portuguesa, ainda que reduzida e de pouca expressão territorial, e em que a Igreja já lança as bases para a emancipação cultural timorense, dando o seu inestimável contributo na formação e educação dos timorenses. Finalmente, focar-me-ei na análise do importantíssimo papel da Igreja Católica no período da ocupação indonésia, período em que a religião católica se definitivamente firmou na nossa terra, na nossa alma e corações, onde elementos fundamentais de identidade, como é o caso da língua tétum, foram resgatados e fortaleceram ainda mais o sentido da luta em prol de uma causa nacional.

E para falarmos do começo, da chegada do cristianismo e do catolicismo à ilha de Timor, temos de falar dos portugueses e do enclave de Oe-cusse, temos de falar que há 500 anos atrás missionários portugueses desembarcaram em Lifau e marcaram na nossa história um dos aspetos fundadores e diferenciadores de Timor-Leste – a religião católica – religião professada por 96,9% da população do país, de acordo com o censo de 2010.

A chegada dos portugueses foi pois, e em primeira instância, a chegada de uma nova religião, abraçada e apropriada muito antes da própria colonização do território. Como se sabe, a chegada dos portugueses ao território de Timor em 1515 não se traduziu no início da colonização da ilha, a qual efetivamente só veio a ocorrer alguns séculos mais tarde. Note-se que a chegada do primeiro governador português, António Coelho Guerreiro, ocorreu apenas em 1702, e aí sim se verifica o início da implantação de uma muito pequena estrutura governativa, administrativa e militar. E é de facto muito interessante notar, de acordo com literatura histórica disponível, que aquando da chegada do primeiro governador já uma parte da aristocracia de Timor se encontrava convertida, com nome cristão e português. Quero com isto salientar que o cristianismo não entrou na nossa cultura e na nossa história pelas armas e pela imposição, mas sim fruto de rotas comerciais estabelecidas que tinham no sândalo um bem a explorar, e que permitiu que homens, imbuídos de verdadeiro espírito de missão, chegassem e percorressem o interior do nosso território para evangelizar em nome de Portugal.

Menciono este facto porque o julgo fundamental para explicar a forma como a cristianização foi bem acolhida em muitos dos reinos existentes na Ilha, e como a presença da Igreja, através das ordens religiosas, começa a sua história e relação com os povos de Timor antes de qualquer poder colonial se impor no território. Na perceção dos Senhores Padres João Felgueiras e José Martins, registada no livro as “Nossas Memórias de Vida em Timor”, “o cristianismo veio elevar, dignificar e enriquecer o que já palpitava na natureza do povo timorense, isto é, o cristianismo ao chegar encontrou um povo com o sentido de Deus (Maromak) e sentido de Sagrado (Lulik)”.

Já no período mais efetivo da colonização portuguesa, que julgo não acontecer senão a partir de meados do Séc. XIX, verifica-se uma maior presença da Igreja, em que as ordens religiosas voltaram a instalar-se com maior representatividade no território do já Timor português, e que foram fundamentais na formação dos timorenses, designadamente com a abertura de algumas escolas, colégios e seminários. Não foi, infelizmente, uma presença global e que chegasse a todos, mas onde se estabeleceu, fez sem dúvida a diferença e marcou gerações, cuja formação base lhes permitiu destacarem-se intelectualmente. O colégio de Soibada é disso exemplo.

Este é pois um período em que a Igreja Católica timorense começa a criar as suas bases, em que a evangelização é também reforçada pela formação de um clero local. E tenho de mencionar a importante obra de Dom Jaime Garcia Goulart, primeiro Bispo de Díli, e que lançou as bases da revista Seara criada em 1949, primeira publicação católica que foi muito importante na evangelização e como veículo de conhecimento sobre o trabalho desenvolvido pelos missionários espalhados pelo território. Até a revista ser definitivamente cancelada em 1973, por pressões da polícia política, acabaram por ser publicados artigos, reflexões e até críticas ao regime colonial, já deixando transparecer a construção de um movimento nacionalista timorense.

Entrando agora no período específico da ocupação indonésia, quero mencionar alguns factos que são fundamentais para se compreender a importância do papel da Igreja Católica, e dos padres e madres que nas suas missões protegeram e apoiaram o povo, e continuaram a contribuir para a construção de um sentimento nacional e identitário. Como se sabe, os timorenses foram obrigados a escolher uma das cinco religiões reconhecidas pela República da Indonésia. A religião católica foi, naturalmente, a escolhida pela maioria da população, estimando-se que entre 1973 e o final do período da ocupação indonésia a percentagem de católicos tenha aumentado de 29% para 90%.

Temos ainda duas decisões importantes tomadas pela Igreja que foram determinantes para o fortalecimento da própria Igreja Timorense. Por um lado, a decisão da hierarquia da Igreja em Roma ter mantido uma relação direta com a Igreja Timorense, não a subordinando à hierarquia católica Indonésia. Por outro lado, a extraordinária decisão da Igreja Timorense de adotar o tétum como a sua língua de liturgia e de doutrina. O tétum tornou-se, assim, a língua da religião e a língua partilhada por um povo cada vez mais próximo e cuja aspiração à autodeterminação foi progressivamente fortalecida, como já referi, por um sentimento de identidade em construção.

A Igreja Católica e o espírito missionário de padres e madres timorenses, mas também religiosos de outros países, como foi o caso dos Senhores Padres João de Deus, João Felgueiras, José Martins, Elígio Locatelli, entre outros, que permaneceram em Timor-Leste neste período, foram essenciais para a construção de uma relação de confiança, de fé, de devoção e da construção de um sentimento de verdadeira justiça em torno da causa da independência.

A visita a Timor-Leste de Sua Santidade o Papa João Paulo II, em 1989, foi um momento de extraordinária importância para a nossa Luta. A celebração da eucaristia em Díli contou com uma participação massiva do povo e os jovens, que se mobilizaram e participaram tão devotamente nesta histórica missa, demonstraram a sua enorme coragem ao manifestarem o desejo da liberdade e da independência. O Santo Papa João Paulo II trouxe esperança e trouxe conforto, e colocou Timor-Leste na agenda internacional.

O Massacre de Santa Cruz, a 12 de Novembro de 1991, é um momento trágico cuja lembrança perdurará para sempre na nossa história e onde a Igreja, uma vez mais, apoiou e protegeu a população massacrada e violentada. A Igreja templo foi, em muitos momentos, o local de proteção de um povo perseguido e se nem sempre conseguiu garantir a sua proteção física, conseguiu sem dúvida proteger e acompanhar espiritualmente um povo que nunca perdeu a fé nem a esperança num Timor-Leste independente. Não esqueçamos por isso os homens e mulheres da Igreja, que dedicaram a sua vida a Timor e às suas gentes e que perderam a sua própria vida em massacres como os que aconteceram no Suai ou em Liquiça.

Senhoras e Senhores,

Infelizmente o tempo é reduzido e por isso vou mencionar especificamente o papel de dois homens da Igreja que tiveram uma atuação determinante na luta da independência: D. Martinho da Costa Lopes, que devotou toda a sua força à causa timorense, sofreu com o seu povo, denunciou as atrocidades cometidas pelos indonésios e que nunca desistiu de lutar pela defesa dos direitos humanos em Timor-Leste. Como sabem, Timor-Leste tem a ordem honorífica D. Martinho da Costa Lopes, um elemento significativo do reconhecimento formal do Estado ao apoio fundamental que a Igreja, padres e madres deram ao povo durante a luta pela Libertação Nacional.

Também D. Carlos Filipe Ximenes Belo, prémio Nobel da Paz em 1996, denunciou os crimes e exigiu justiça para o povo de Timor-Leste, tendo-se feito valer da Igreja ser a única instituição que, à época, conseguia ter contato com o exterior para pedir em 1989 um referendo à Organização das Nações Unidas para a autodeterminação de Timor-Leste.

A Igreja Católica foi efetivamente determinante na luta da independência de Timor-Leste, foi determinante no processo de construção da identidade timorense e é sem dúvida um parceiro fundamental do Estado rumo à construção de um país solidário, fraterno e humanista.

Para terminar, quero apenas salientar que o demonstrativo maior do reconhecimento do importantíssimo papel que a Igreja Católica teve na luta pela independência é a sua merecida valorização inscrita na Lei Fundamental do país – a Constituição da República – que refere no seu artigo 11, dos Princípios Fundamentais, que “o Estado reconhece e valoriza a participação da Igreja Católica no processo de Libertação Nacional de Timor- Leste”.

E porque é também fundamental falar do presente e do futuro, quero aproveitar esta oportunidade para reiterar a importância de se continuar a reforçar a cooperação entre o Estado e a Igreja. O papel da Igreja na vida da sociedade é muito importante e o seu contributo na consolidação dos valores e na formação humanista dos cidadãos é vital para aspirarmos a um desenvolvimento justo, dando resposta às necessidades mais prementes de um povo que vivendo agora em paz precisa de se libertar da pobreza e viver com dignidade e bem-estar.

Muito obrigado.

Díli, 9 de Abril de 2015
Dr. Rui Maria de Araújo 

 

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ADDRESS BY
HIS EXCELLENCY THE PRIME MINISTER DR. RUI MARIA DE ARAÚJO
ON THE OCCASION OF THE CONFERENCE ON “THE CHURCH AND ITS TIMORESE FACE”

“The role of the Church in the Struggle for National Liberation: Memory and Reflection”

In view of the topic that was given to me, “The Church in the Struggle for National Liberation: Memory and Reflection”, I tried recalling some historical facts and reflecting on the role of the Catholic Church in Timor-Leste during the Indonesian occupation. This role was characterised by the defence of human rights and of a people that struggled to achieve National Liberation.

However, I would say that the Church’s contribution to independence predates the Indonesian occupation. Indeed, its main contribution was to forge the very Timorese identity, which throughout the centuries was shaped according to the diversity of our ancestors, our culture and our traditions, always in contact with the Church. This national identity was strengthened after 24 years of great violence, since our people were absolutely convinced of the justice of their cause of independence, freedom and sovereignty. In fact, what effectively distinguishes us from our neighbouring countries, their peoples and their cultures, is precisely this contact with the Church and the Portuguese missionaries, who unquestionably contributed to create an identity in our half island in South East Asia that I would describe as being unique.

Precisely because the Church had a leading influence in the self-determination of the people of Timor-Leste, beyond the period of the Indonesian occupation, I would like to summarise the context of the arrival and permanence of the Church, which is to say the start of the Christianisation of the island of Timor. I will also address the presence of the Church during the colonial period, when Portugal’s rule was already a reality, although with little territorial expression, and when the Church laid the foundations for the Timorese cultural emancipation, providing a priceless contribution to the training and education of the Timorese. Lastly, I will focus on the extremely important role played by the Catholic Church during the Indonesian occupation, when the Catholic religion was truly entrenched in our land, as well as in our hearts and souls, and when key elements of identity, such as the Tetum language, were rescued in order to further strengthen the sense of struggling for a national cause.

In order to speak about the beginning, which was the arrival of Christianity and Catholicism in the island of Timor, we must speak about the Portuguese and the enclave of Oecusse. We must go back 500 years, when Portuguese missionaries disembarked in Lifau and brought to Timor-Leste something that differentiates Timor-Leste from our neighbours – the Catholic religion, which according to the 2010 census is practiced by 96.9% of the country’s population.

As such, the arrival of the Portuguese represented the arrival of a new religion that was embraced and adopted well before the territory was colonised. As we know, the arrival of the Portuguese on the island of Timor in 1515 did not represent the start of the island’s colonisation. That would only happen a couple of centuries later. Indeed, the first

Portuguese governor, António Coelho Guerreiro, only arrived in 1702, marking the start of the establishment of a very small governing, administrative and military structure. It is very interesting to note, according to the historical literature available, that when this first governor arrived a part of the Timorese aristocracy had already been converted, with its members having Christian and Portuguese names. I want to stress that Christianity did not enter our culture and our history by being imposed through arms, but rather as a result of sandalwood-based trade routes, which led to men coming to our island, imbued with a true sense of mission, to evangelise the territory in the name of Portugal.

I want to mention this fact because I believe that it is essential to explain the manner in which Christianity was welcomed by many of the kingdoms existing in our island, and how the presence of the Church, through the religious orders, began its history and its relationship with the peoples of Timor before any colonial power had settled in the territory. In the view of Father João Felgueiras and Father José Martins, recorded in the book “Our Memories of Living in Timor”, “Christianity elevated, dignified and enriched that which already pulsated in the nature of the Timorese people. In other words, Christianity found a people with the sense of God (Maromak) and the sense of Sacred (Lulik)”.

Already during the more effective period of Portuguese colonisation, which I believe to have started around the middle of the 19th century, the presence of the Church increased, with the religious orders establishing themselves again in greater numbers in what was already Portuguese Timor. These religious orders were essential in training the Timorese, including by opening a number of schools, colleges and seminaries. Although, unfortunately, this presence did not reach everyone, it had a clear impact on those it touched over the generations. The basic training the religious orders provided enabled students to stand out on an intellectual level. The Soibada college is a good example of this.

As such, this was a period in which the Timorese Catholic Church started to lay its foundations and evangelisation was strengthened through the creation of a local clergy. Here I must mention the important work undertaken by Jaime Garcia Goulart, the first Bishop of Dili, who laid the groundwork for the Seara magazine created in 1949. This first Catholic publication was very important for the evangelisation of the country and as a way to convey knowledge about the work being done by the missionaries throughout the territory. Until its definitive cancellation in 1973, due to pressures by the political police, the magazine published articles, reflections and even criticisms against the colonial regime, suggesting the emergence of a Timorese nationalistic movement.

Moving into the specific period of Indonesian occupation, I want to mention a few facts that are vital for understanding the importance of the role of the Catholic Church and of the priests and nuns who protected and supported the people and who continue to contribute towards the construction of a national psyche and identity. As we know, the Timorese were forced to choose one of the five religions recognised by the Republic of Indonesia, with the Catholic religion being naturally the choice of the majority of the population. It is estimated that the percentage of Catholics increased from 29% in 1973 to 90% at the end of the period of Indonesian occupation.

There were also two key decisions made by the Church that were important to the strengthening of the Timorese Church itself. Firstly, the Church of Rome maintained a direct rapport with the Timorese Church, instead of subordinating it to the Indonesian Catholic Church. Secondly, the Timorese Church made the extraordinary decision to adopt Tetum as the language used in mass. This made Tetum the language of the religion and the language shared by people who were increasingly coming together and whose aspiration for self-determination was being progressively strengthened by a growing feeling of identity.

The Catholic Church and the missionary spirit of Timorese priests and nuns, as well as religious people from other countries, such as Father João de Deus, Father João Felgueiras, Father José Martins and Father Elígio Locatelli, who resided in Timor-Leste during this period, were essential for building a relationship of trust, faith and devotion, as well as for building a feeling of true justice towards the cause of independence.

The visit to Timor-Leste by His Holiness Pope John Paul II in 1989 was an extremely important moment for our Struggle. The mass held in Dili featured a massive participation by our people. The young, who participated with great devotion in this historical mass, displayed their enormous courage in expressing their desire for freedom and independence. His Holiness Pope John Paull II brought us hope and comfort, and put Timor-Leste on the international agenda.

The Santa Cruz Massacre on 12 November 1991 is a tragic moment that our history will never forget and where the Church once again provided support and protection to the people who had been massacred and savaged. The temple of the Church was often the place of shelter for persecuted people, and while it was not always possible to ensure their physical protection, it nevertheless provided spiritual protection and guidance to people who never lost their faith and hope in an independent Timor-Leste. As such, let us not forget the men and women of the cloth who dedicated their lives to Timor and its people, and who lost their very lives in massacres such as the ones that took place in Suai and Liquiçá.

Ladies and gentlemen,

Unfortunately time is short, so I will just mention specifically the role of two men of the cloth who played a leading role in the struggle for independence: Martinho da Costa Lopes, who devoted his strength to the Timorese cause, suffered alongside the Timorese, denounced the atrocities committed by the Indonesians and never ceased to fight to defend human rights in Timor-Leste. The Martinho da Costa Lopes honorific order bestowed by Timor-Leste pays homage to the fundamental support provided to the people by the Church, the priests and nuns during the struggle for National Liberation.

Carlos Filipe Ximenes Belo, the Nobel Peace Prize laureate in 1996, also denounced crimes and demanded justice for the people of Timor-Leste, using the fact that the Church was at the time the only institution that could contact the outside world to request the United Nations in 1989 to hold a referendum on the self-determination of Timor-Leste.

The Catholic Church was indeed determinant in the struggle for the independence of Timor-Leste and in the process of building the Timorese identity. It is also unquestionably a key partner of the State in creating a country of solidarity, fraternity and humanity.

Before I conclude, I just want to stress that the greatest recognition of the immensely important role of the Catholic Church in the struggle for independence is its deserved valorisation inscribed in the Basic Law of the country – the Constitution of the Republic – which states in section 11, under Fundamental Principles, that “the State acknowledges and values the participation of the Catholic Church in the process of National Liberation of Timor-Leste”.

And because it is also essential to speak about the present and the future, I want to seize this opportunity to highlight the importance of continuing to strengthen cooperation between the State and the Church. The role of the Church in the life of the society is very important and its contribution to the consolidation of values and the upbringing of citizens is essential for us to aspire to a more just development that responds to the more pressing needs of people who, after attaining peace, now need to free themselves from poverty so as to live dignified and healthy lives.

Thank you very much.

Dili, 9 April 2015
Dr. Rui Maria de Araújo