The Greek people, courageous as ever, voted their conscience, voted for their national dignity and rejected the “diktat” of the Financial Eurocrats.

The left-wing Government of Prime Minister Alexis Tsipras inherited a Greece that had been ruled for decades by corrupt right-wing Governments in alternation with equally corrupt socialist Governments. These, darling of the Eurocrats, were the ones who bankrupted Greece. Tsipras wanted a fairer deal with the creditors, a breathing space, less austerity, a restructuring of the debt.

This sentence in the New York Times encapsulates in clear and simple terms the reasons for the Greek resounding NO vote:

“After five years in which unemployment soared beyond 20 percent and the country’s economy contracted by 25 percent, many said that a no vote was at least a vote for hope, the possibility of a new deal, rather than following the mandates of creditors who had failed to set Greece on a course to recovery (NYT, July 5th, 2015, Page 1)”

From where I am, from thousands of miles away, I pray that wisdom and humanity prevail in Brussels, Berlin, Paris, Rome, Warsaw, and European leaders show understanding and respect the anguish, suffering and sense of deep humiliation of the people of Greece, the reasons why they rejected five years of failed austerity policies.

Europe, a vast field of destruction and death 70 years ago, resurrected from the ashes of World War II, is uniquely placed to promote world peace and solidarity.

I was one of the nominators of the European Union for the Nobel Peace Prize in 2009 and 2010; I’m counted among those who have genuine appreciation for all the good Europe has stood for over many decades.

Peoples of Asia, Africa and Latin America have much to thank the European Union for standing up for human rights and democracy and for showing true solidarity; EU development and financial assistance for developing countries are unsurpassed.

I believe that in a world in turmoil, with growing complex social and security challenges that threaten all of us, a united and strong Europe can play a bridging, balancing role, between competing world powers, Russia, US, China.
I hope I will not have to regret having nominated the European Union for the Nobel Peace Prize. Jose Ramos-Horta

JRH

 

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Depois do voto NÃO dos Gregos:

Será que Berlim, Paris , Varsóvia e Roma irão mostrar Sabedoria e Consciência?

 

O povo grego, corajoso como sempre, votou pela sua consciência, votou pela sua dignidade nacional e rejeitou o “diktat” dos Eurocratas Financeiros.

O Governo de esquerda do Primeiro-Ministro Alexis Tsipras herdou uma Grécia que tinha sido governada por décadas de governos de direita corruptos e de socialistas igualmente corruptos. Estes, favoritos dos Eurocratas, foram os que levaram a Grécia à falência. Tsipras desejava um acordo com os credores mais justo, espaço para respirar, menos austeridade e uma reestruturação da dívida.

Este parágrafo no New York Times resume de uma maneira muito clara e simples o porquê do retumbante voto grego no NÃO:

“Depois de cinco anos em que o desemprego subiu mais de 20% e a economia do país retraiu em 25%, muitos diziam que o voto no Não seria pelo menos um voto de esperança, a possibilidade de um novo acordo, em vez de seguir as imposições dos credores que falharam em definir um curso de recuperação para a Grécia “(NYT, 5 de Julho de 2015, pag. 1).

Estando eu a quilómetros de distância, rezo para que a sabedoria e humanidade prevaleçam em Bruxelas, Berlim, Paris, Roma, Varsóvia e que os líderes europeus mostrem compreensão e respeitem a angústia, sofrimento e sentimento de profunda humilhação do Povo da Grécia, pelas razões às quais rejeitou os cinco anos de políticas de austeridade que falharam.

A Europa, um vasto campo de destruição e morte há 70 anos, que ressuscitou das cinzas da Segunda Guerra Mundial, está numa posição privilegiada para promover a paz e a solidariedade mundiais.

Eu fui um dos que propôs a União Europeia para o Prémio Nobel da Paz em 2009 e 2010; Estou entre aqueles que têm um apreço genuíno por tudo de bom que a Europa fez ao longo de muitas décadas.

Povos da Ásia, África e América Latina têm muito a agradecer à União Europeia pela defesa dos direitos humanos e da democracia e por mostrar a verdadeira solidariedade; A assistência financeira e ao desenvolvimento da União Europeia aos países em desenvolvimento não tem igual.

Eu acredito que num mundo em crise, com crescentes desafios sociais e de segurança complexas que nos ameaçam a todos, uma Europa unida e forte pode desempenhar um papel equilibrado como ponte entre potências mundiais rivais – Rússia, EUA e China.

Eu espero não me arrepender de ter proposto a União Europeia para o Prémio Novel da Paz.

JRH

 

photo credit: Reuters